Moneda Muerta (Los casos de Mike Daley y Rosie Fernández 15) 36 — Você soube das novidades?
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36 — Você soube das novidades?

— VOCÊ SOUBE DAS NOVIDADES?

— O Terminator— bateu na porta aberta da sala de reuniões na Defensoria Pública às oito e quinze da noite de domingo. Nady estava sentada ao meu lado. Rolanda tinha entrado conosco pelo Zoom.

— Precisa de alguma coisa?— ele perguntou.

Levantei os olhos do meu notebook. —Estamos bem, T.—

— Tudo certo se eu for pra casa?—

— Claro.—

— Amanhã cedo eu estou aqui, se aparecer alguma coisa.— O ex-pugilista corpulento voltou para sua mesa, vestiu o parka enorme e saiu pela porta.

Olhei para Rolanda na janelinha da tela. —Você tá se sentindo bem?—

— Tudo certo, Mike. Já estou cansando de ver Netflix, e dormir que é bom, nada.—

— Você está na reta final.—

— Fala isso pro bebê. Você está pronto para o julgamento amanhã?—

— Com certeza.— Expliquei que Nady e eu passamos o dia finalizando os questionários dos jurados, lista de testemunhas, provas e estratégia para o julgamento.

— Você está trabalhando com consultor de júri?—

— Sem tempo nem verba.— Sorri. —Vamos confiar no instinto da Nady.—

— O instinto dela é ótimo. Você já terminou o discurso de encerramento?—

— Tô trabalhando nele agora.—

Você pode achar que na véspera do julgamento eu estaria focado na abertura. Na verdade, terminei ela ontem. Quando era defensor público novato, Rosie me ensinou que a gente deve escrever o encerramento antes do julgamento começar. Isso ajuda a focar na história que você quer contar aos jurados.

— Qual vai ser a narrativa?— Rolanda perguntou.

— Vamos começar argumentando que a promotoria não tem provas suficientes pra convencer além de qualquer dúvida razoável de que Reggie matou Gore.— Disse que íamos destacar o fato de que a polícia não encontrou impressões digitais, sangue ou DNA ligando Reggie ao Gore ou à carteira.

— E o sangue seco nas mãos e no rosto do Reggie?—

— Ele caiu no dia anterior à morte do Gore.—

— Palavras do Reggie. E depois?—

— Suicídio.— Falei que nossa perita apresentaria a autópsia psicológica e concluiria que Gore tirou a própria vida.

Rolanda soou cética. —Isso vai ser uma barra. Autópsias psicológicas sempre são vistas com desconfiança e são difíceis de engolir para o júri.—

A voz dura da realidade. —Se não for suficiente, vou chamar todo mundo que estava no Kanzen e tentar convencer o júri a considerar culpar algum deles.—

— Vai soar desesperado.—

Sim, vou. —Não preciso provar que outra pessoa matou Gore. Só preciso fazer um jurado achar plausível.— Olhei para Nady. —Você colocou todos os nomes na nossa lista de testemunhas, né?—

— Coloquei.— Ela levantou os olhos do computador. —McAllister não vai poder depor.—

— Por quê? Enviamos uma intimação pra ele.—

— Você soube das novidades?—

— Que novidades?—

— McAllister teve um AVC no jogo dos Giants ontem à noite. Vai ficar internado por umas duas semanas.—

Minha cabeça latejou. —Isso não ajuda.—

Rolanda me encarou pela tela do Zoom. —Você não vai tentar jogar a culpa da morte do Gore em cima de um cara que acabou de ter um AVC, vai?—

— Não.— E agora nem tenho mais essa chance. —Temos outras opções.—

— Prova?—

— Insinuação.—

— Maravilha.—

Pete entrou na sala de reuniões, tirou a jaqueta bomber, colocou seu laptop na mesa e se serviu de uma xícara de café morno.

— Alguma novidade sobre o Mason?— perguntei.

— Não vou conseguir encontrar ele, Mick. Meu pessoal do Narcóticos confirmou o que Roosevelt contou pra gente. Alguém avisou o Mason que a polícia de São Francisco estava atrás dele. Deu no pé rapidinho pro México. Viram ele cruzando a fronteira.—

Acabei de perder minha segunda testemunha nos últimos dois minutos. —Só podemos chamar as testemunhas que estão disponíveis.—

Pete deu um sorriso de lado. —Mas você ainda pode botar a culpa nos que não estão.—

Verdade.

Nady falou de novo. —Você vai colocar o Reggie no banco das testemunhas?—

— Só se for caso de vida ou morte.—

— Onde você está?— Rosie perguntou.

— Na Golden Gate Bridge,— eu disse, usando o viva-voz. —Chego em casa em vinte minutos.—

O trânsito estava leve enquanto eu dirigia ao norte às onze e quinze da noite de domingo. A neblina cobria as torres, e eu mal enxergava o farol de Alcatraz. As colinas de Berkeley tinham sumido.

— Tá pronto pra encarar?— Rosie perguntou.

— Tão pronto quanto eu consigo. Te conto tudo quando chegar em casa.—

Ela fez uma pausa. —Você precisa ficar no apartamento hoje.—

Ih, caramba. —Tá brava comigo?—

— Não.— Ela pigarreou. —Estive numa reunião na Prefeitura sexta à noite. Descobri mais cedo que duas pessoas que estavam lá testaram positivo pra Covid. Eu também testei positivo agora.—

Droga. —Te ligo quando chegar no apartamento.—