Moneda Muerta (Los casos de Mike Daley y Rosie Fernández 15) 31 — Você Não Vai Encontrá-lo⁠—
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31 — Você Não Vai Encontrá-lo⁠—

— VOCÊ NÃO VAI ENCONTRÁ-LO⁠—

Joey veio até a mesa nos fundos do Dunleavy’s onde Pete e eu estávamos sentados às dez e quinze da noite de quarta-feira. —Mais café, Mike?

— Não, obrigado.

Ele encheu a xícara do Pete sem que ele pedisse. —Qualquer coisa que precisar, é só avisar. Percebendo que Pete e eu queríamos conversar a sós, ele voltou para o bar.

O Dunleavy’s estava silencioso naquela noite de neblina. O SportsCenter passava na TV de tela plana, mas sem som. Ninguém jogava sinuca. A jukebox estava desligada. Dois frequentadores habituais estavam sentados no balcão. Apenas mais uma noite nos sessenta anos de história do Dunleavy’s.

Mexi no meu peixe com fritas. —Você achou alguma coisa sobre Damian Mason?

Pete tomou um gole do café pelando e fez uma careta. —O senhorio dele disse que ele sumiu há três meses. Sem aviso. Sem endereço de encaminhamento.

— O senhorio fez boletim de ocorrência?

— Não. Ninguém mais fez.

— Você acha que alguém avisou ele que a polícia estava atrás dele?

— Talvez. Uns conhecidos meus no SFPD sabiam quem ele era, mas não tinham provas suficientes pra prender ele.

— Ele simplesmente sumiu?

— No mínimo, ele saiu do radar. O celular dele morreu. As contas bancárias não foram movimentadas desde que ele saiu. Ele não usou os cartões de crédito.

— Ninguém consegue viver muito tempo sem dinheiro.

— Ele provavelmente deixou dinheiro guardado. Ou talvez alguém esteja protegendo ele. Não sei. — Ele pousou a caneca. —Vou continuar procurando, Mick, mas você precisa se preparar pra ir a julgamento sem ele.

— Já imaginava.

O bigode dele tremeu enquanto o rosto curtido formava um meio sorriso. —Olha pelo lado bom. Se você quiser tentar passar a culpa pela morte do Gore pro Mason, ele não vai poder se defender.

Ótimo. —A gente nem consegue provar que ele estava lá em cima no Salesforce Park, Pete.

— Não disse que era solução milagrosa, Mick.

Não, não disse, e não é mesmo.

A porta dos fundos se abriu, e o inspetor de homicídios mais condecorado da história do SFPD entrou.

Roosevelt Johnson pendurou o sobretudo no cabideiro e se juntou a nós.

Com um metro e noventa e três e cerca de cem quilos, o primeiro parceiro do meu pai ainda impunha respeito aos oitenta e cinco anos.

Ele nos cumprimentou com aquele conhecido barítono que eu ouvia nos domingos à noite, quando Roosevelt e a família vinham jantar em casa.

—Bom ver vocês — disse ele. Ergueu uma sobrancelha por cima dos óculos estilo aviador.

—Igual aos velhos tempos, né? Mesma hora.

Mesmo lugar. Mesmo prato. Teu pai teria ficado feliz de ver que a gente continua se encontrando no bar do teu tio depois de todos esses anos.

— Teria, sim.

Joey entrou pela frente, serviu uma xícara de café pro Roosevelt e colocou um prato de peixe com fritas na frente dele. —Tudo certo, Roosevelt?

— Tudo certo, Joe. E você?

— Tudo ótimo. Qualquer coisa, estou lá na frente. — Joey seguiu para o bar.

Roosevelt contou que estava com saúde, mas uma antiga lesão no joelho estava atrapalhando um pouco. A esposa, Janet, tinha falecido há alguns anos. A neta mais nova dele estava esperando o terceiro bisneto.

Por fim, ele foi direto ao assunto. —Você vai conseguir absolvição pro Reggie Jones?

Nunca tentei enganar o Roosevelt. —As provas do promotor não são muito consistentes, mas também não estou lá muito otimista. O Reggie estava lá quando o Gore morreu. Não temos nenhuma prova concreta contra outra pessoa. Nosso melhor argumento talvez seja que o Gore se suicidou.

— Tinha algum bilhete?

— Não.

— Outra evidência?

— Circunstancial. Gore passou por dois divórcios turbulentos. O negócio dele estava indo pro ralo. Perdeu bilhões. Estava bebendo muito e usando drogas de grife.

— A tua defesa também parece meio fraca.

Parece, sim. —A gente encomendou uma autópsia psicológica com um dos meus melhores especialistas.

— Essas coisas são naturalmente pouco confiáveis.

— O embasamento científico é bom, Roosevelt.

— Espero que você não esteja apostando tudo nisso.

— Não estamos. Não tem testemunha ocular e o caso da promotoria tem furos. Talvez consigamos fazer pelo menos um jurado ter dúvida razoável.

Os lábios dele se curvaram para baixo. —O Ken não prende ninguém se não tiver certeza.

Roosevelt treinou o Ken Lee. —Mas não significa que ele esteja certo dessa vez.

— Vamos ver. Ouvi dizer que o seu cliente estava com a carteira do Gore.

— Estava no chão, ao lado do lugar onde o Reggie estava dormindo. Não encontraram digitais, sangue nem DNA do Reggie na carteira.

— Tá dizendo que outra pessoa colocou lá?

— Ou Gore deixou cair. —

Ele respondeu com aquele sorriso familiar que eu já tinha visto incontáveis vezes na Delegacia de Homicídios, no tribunal e na sala de jantar dos meus pais. — Você é um bom advogado, Mike. Por outro lado, parece que você vai pedir ao júri para juntar muitos pontos. —

— Vou mesmo. —

— Algum suspeito alternativo viável? —

— Havia várias outras pessoas por perto naquela noite. — Ele ouviu atentamente enquanto eu passava a lista de pessoas que estavam presentes no encontro no Kanzen. — Todo mundo perdeu muito dinheiro e tinha grandes problemas com o Gore. —

— Você tem alguma prova concreta de que uma dessas pessoas matou ele? —

— Ah, não. —

Pete pegou o celular e mostrou uma foto de Roosevelt Mason. — Este é o cara de quem te falei. O nome dele é Damian Mason. Achamos que ele estava vendendo sais de banho para o Gore. Vimos ele em um vídeo de segurança gravado no nível da rua do Salesforce Transit Center na manhã em que Gore morreu. —

— Você tem alguma prova de que ele estava lá em cima, no parque, naquela manhã? —

— Ainda não. —

— O que faz você pensar que ele teve algo a ver com a morte do Gore? —

— Talvez ele e o Gore tenham feito um negócio de drogas que deu errado. Talvez o Gore devesse dinheiro pra ele. Ou talvez tenha sido outra coisa, sem relação. —

Roosevelt apoiou o queixo na palma da mão. — Pra mim, isso soa como especulação. —

É mesmo.

Pete manteve a voz controlada. — Tenho tentado encontrar o Mason.

Conversei com o senhorio, família, amigos, conhecidos e qualquer outra pessoa que talvez tivesse ligação com ele.

Pelo que eu consegui descobrir, ele sumiu do mapa faz três meses.

Saiu do apartamento às pressas, abandonou o carro e quase todos os pertences e simplesmente desapareceu.

Nada de atividade no celular, nenhum saque em dinheiro, nenhum gasto no cartão, nada. —

Roosevelt assentiu.

Pete olhou diretamente para Roosevelt. — Minhas fontes disseram que o SFPD sabia do tráfico de drogas do Mason. Até chegaram a trazer ele pra depor pelo menos uma vez. —

— Trouxeram, sim. —

— Você tem mais contatos do que eu. Alguma das suas fontes no SFPD te passou algo que possa me ajudar a encontrar ele? —

Roosevelt demorou uns bons segundos antes de responder. — Você não vai encontrar ele. —

Pete levou um tempo pra digerir a resposta. — Ele está vivo? —

— Pelo que eu sei, sim. —

— Tem ideia de onde ele está? —

Roosevelt pigarreou. — A última vez que foi visto, estava entrando no México por uma fronteira no Texas. Daí sumiu a trilha, e o SFPD não tem tempo nem recursos pra continuar procurando por ele. —

Eu comecei a falar, mas Pete me deteve. Ele se voltou para Roosevelt. — Obrigado pela ajuda. Manda um abraço pra sua neta. Espero que o bebê dela venha com muita saúde. —

— O Roosevelt tá bem — observou Pete.

— Com certeza — respondi.

Ainda estávamos no Dunleavy’s. Roosevelt tinha acabado de ir embora.

— O que foi aquilo? — perguntei.

Pete levantou os olhos do celular. — Ele estava dizendo pra gente que não vai encontrar o Mason. Você precisa planejar o caso sem contar com ele. —

— Tem certeza? —

— É o Roosevelt que está dizendo. Eu acredito nele. —

Eu fiquei decepcionado, mas sabia que ele tinha razão. Perguntei se ele ia pra casa.

Ele vestiu a jaqueta bomber. — O seu julgamento começa na segunda. Vou ver se consigo encontrar outro suspeito pra você. —

Nady entrou na minha sala à meia-noite. — Você está aqui até tarde — disse ela.

— Você também. Fiquei sabendo que o júri ficou indeciso. —

Ela sorriu. — Foi melhor do que eu esperava. —

— Parabéns. O promotor vai apresentar novas acusações? —

— Provavelmente. —

No nosso ramo, adiar o inevitável às vezes já é a melhor coisa que conseguimos fazer. — Por que você está aqui a essa hora? —

— Eu ia te fazer a mesma pergunta. —

— O julgamento começa segunda. Estive atualizando a lista de testemunhas e preparando os anexos. Podemos incluir o Mason na lista, mas é improvável que a gente consiga localizar ele. — Eu contei pra ela sobre a conversa com Roosevelt e Pete.

Ela recebeu as notícias numa boa. — Não dá pra convocar uma testemunha que a gente não encontra. Talvez isso até jogue a nosso favor. Podemos jogar toda a culpa em cima dele e ele nem vai poder se defender. —

— Talvez. Pete está procurando outras testemunhas. Não estou otimista. Enquanto isso, precisamos planejar o caso com o que temos em mãos. —

— Você tem que jogar com as cartas que a vida te dá, Mike. Vai pra casa logo? —

— Vou sim. E você? —

— Também. —

— Eu e o Andy Erickson vamos encontrar o juiz amanhã à tarde pra conversar sobre as moções e a lista de testemunhas. Você pode comparecer? —

— Claro. —