Moneda Muerta (Los casos de Mike Daley y Rosie Fernández 15) 26 — Você Não Perguntou⁠—
44%

26 — Você Não Perguntou⁠—

— VOCÊ NÃO PERGUNTOU⁠—

Os olhos de Debra “Dazzle” Diamond brilhavam tanto quanto seu top de lantejoulas e shorts curtos. —Gostou do show?

Retribuí o sorriso dela. —Sim, nós gostamos.

— O nosso frango é um dos melhores da cidade. Recebemos uma ótima matéria no Chronicle há alguns meses.

— Eu vi.— O Chef Executivo do Gold Club, Chris Hui, foi treinado na California Culinary Academy.

O sorriso dela se alargou. —Não tá feliz de não ser mais padre?

— Tô sim.

Dazzle se sentou com a gente numa mesa do bar do Gold Club, o clube de strip sofisticado logo ali na rua do Moscone Center. O show do almoço já tinha terminado, o público do meio-dia tinha dispersado e o ambiente cheirava a resto de frango frito e cerveja.

Ela lançou uma piscadela provocante para Pete. —Não vejo você aqui tanto quanto antes.

— O movimento caiu durante a pandemia.

— Você acha que as pessoas traíram menos os cônjuges na Covid?

— Acho que não.

Ela jogou a perna direita na cadeira vazia ao lado da minha, mostrando a tornozeleira eletrônica que tinha enfeitado com lantejoulas. —Veio aqui pra me dizer que o juiz voltou atrás e vai deixar eu tirar essa coisa idiota enquanto estou dançando?

— Infelizmente não, Dazz, mas ficou bonito.

— Ficou ridículo.

Ficou mesmo. —É só mais alguns meses.

— É.— Ela baixou a perna e tomou um gole de água com gás. —O que eu posso fazer por vocês?

— Estamos representando um cara chamado Reggie Jones que vai a julgamento pelo assassinato de Tyson Gore.

Um olhar de reconhecimento apareceu no rosto dela. —O cara do cripto.

— Isso. Chegou a conhecer ele?

— Conheci. Ele vinha aqui bastante.

— Gente boa?

— Só mais um daqueles manés do mundo da tecnologia, cheio de grana e ego inflado. Mas dava boas gorjetas. Nunca deu em cima de mim, mas paquerava várias das minhas colegas. Ele gostava delas jovens e loiras.

Mostrei a ela uma foto de Amanda Blair. —Reconhece?

— Sim. A Amanda trabalhou aqui alguns meses pra ganhar uma grana extra enquanto estava lançando a presença dela nas redes sociais. Garota bacana. Inteligente. Ambiciosa. Respeitosa. Boa dançarina.

— Ela conheceu o Gore aqui. Tiveram um relacionamento por cerca de um ano. Não terminou bem.

— Não me surpreende.

Eu a encarei. —Por que você não me contou isso?

— Primeiro, eu não sabia que você tava representando o Reggie Jones. Segundo, não era da sua conta. E terceiro, você não perguntou.

— A Srta. Blair disse pra gente que conheceu o Gore num evento beneficente enquanto trabalhava pra uma empresa de bufê.

— Ela mentiu. Vai ver ela não quis contar pra um desconhecido que conheceu o ex-namorado aqui.

— Não tem do que se envergonhar.

— Claro que não.— Ela apontou o dedo pra mim. —Tenho orgulho do que faço. Sou boa no que faço. E não peço desculpas por isso. Beleza?

— Beleza.

— Qual a diferença de onde ela conheceu o Gore?

— Talvez nenhuma. Mas me faz pensar se ela mentiu sobre mais alguma coisa.

— Acho que você vai ter que perguntar pra ela.

— Vamos.— Peguei meu celular e mostrei a foto do homem no Salesforce Transit Center. —Reconhece?

Ela analisou a foto. —Já vi algumas vezes.

— Sabe o nome?

— Não.

— Ele é do ramo de cripto?

— Não, farmacêutico.— Ela olhou em volta no bar vazio pra se certificar que ninguém estava ouvindo. —Acho que ele fornecia drogas sintéticas pros caras da tecnologia.

— Vendia pro Gore?

— Não sei.

— Alguma chance de você ter vídeo de segurança desse cara?

— Difícil. Eles guardam os vídeos por uma ou duas semanas só. Ele não aparece faz meses.

Pete se inclinou pra frente. —Mostrei a foto dele pro pessoal da SFPD. Ninguém reconheceu.

— Ele era discreto.

— Faz ideia de onde podemos encontrar ele?

— Infelizmente não.

— Você ouviu falar da Amanda Blair depois que ela saiu?

— Não. Ouvi dizer que ela tá ganhando muita grana no TikTok. Bom pra ela.