Moneda Muerta (Los casos de Mike Daley y Rosie Fernández 15) 6 — Não Tem Nada Para Conversar⁠—
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6 — Não Tem Nada Para Conversar⁠—

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— NÃO TEM NADA PARA CONVERSAR⁠—

— Parabéns pela sua nomeação —eu disse.

— Obrigada. —A Promotora escolhida a dedo pela prefeita forçou um sorriso falso ao se sentar atrás de sua mesa padrão do governo, em seu gabinete localizado em um prédio industrial reformado, cerca de um quilômetro ao sul do Fórum. —É sempre um prazer ver você, Mike —ela mentiu.

O prazer é todo meu. —Também é sempre um prazer ver você, Vanessa.

Vanessa Turner tinha trinta e cinco anos, era afiada, extremamente política e profundamente ambiciosa.

Nascida em Oakland, formada pela UC Davis e pela Escola de Direito de Hastings, era uma fanática pela lei e ordem, conhecida pela sua tenacidade no tribunal e por não ter papas na língua no escritório.

Quando seu antigo chefe e mentor, DeSean Harper, anunciou a aposentadoria, ela decidiu entrar na disputa para sucedê-lo.

Depois de uma campanha cheia de veneno entre uma dúzia de candidatos, um dos meus antigos colegas da Defensoria Pública acabou aparecendo com a maioria dos votos.

Ele era liberal até demais para San Francisco, e acabou sofrendo um recall um ano depois, numa campanha ainda mais agressiva.

Quando a poeira baixou, a prefeita tinha autoridade legal para nomear uma promotora interina e escolheu sua aliada política, Turner.

As articulações de bastidor da nossa nova Promotora podem não garantir um mandato longo.

Segundo a legislação de San Francisco, a prefeita é obrigada a convocar uma eleição especial para o cargo de Promotor de Justiça titular.

Pelo menos meia dúzia dos antigos concorrentes de Turner já protocolaram candidatura para enfrentá-la.

Olhei ao redor do escritório dela. O novo espaço da Promotoria não é tão amplo quanto o antigo conjunto no terceiro andar do Fórum, mas os móveis são novos, o encanamento funciona e o prédio tem Wi-Fi.

Os Promotores não podiam mais ir andando ao tribunal, mas a viagem até lá era curta, e Turner arranjou recursos para bancar um serviço de van.

Ela ajeitou o blazer Ralph Lauren. —Você veio por causa do caso Reggie Jones?

— Sim.

— Não tem nada para conversar.

Tem, sim. —O médico da Rolanda quer que ela fique de repouso, então eu vou levar o caso a julgamento. Queria discutir prazos, petições e outros assuntos práticos. E, quem sabe, arrancar alguma pista sobre sua estratégia.

— Envie meus votos de melhoras para a Rolanda.

— Obrigado. Farei isso.

A preocupação dela pareceu sincera, o que é bem comum entre quem trabalha no sistema penal.

San Francisco é uma cidade pequena, onde todo mundo se conhece.

Apesar de termos nossa cota de malas, a maioria entende que todos têm família, problemas de saúde, pais idosos e preocupações do dia a dia.

Se você trata mal as pessoas, isso volta para você.

Ela fez sinal para seu subordinado, Andy Erickson, que estava sentado na cadeira ao lado da minha. —Como deve saber, Andy está cuidando do caso Jones.

— Eu sei. —Assenti para Erickson. —Vai ser bom trabalhar com você de novo.

— Digo o mesmo.

Erickson era um promotor experiente, que tinha percorrido o caminho das pedras no Ministério Público durante quinze anos.

Um advogado metódico, e relativamente íntegro.

Chegou a Chefe-Assistente e estava na fila para substituir o antigo chefe até ser pego no turbilhão político, ficando em sexto nas eleições especiais que terminaram com a surpreendente vitória do meu ex-colega.

Depois que Turner assumiu como nova Promotora, ela rebaixou Andy para Assistente Chefe da Divisão de Crimes Graves.

Agora ele estava numa posição ingrata, tendo que puxar o saco da antiga subordinada.

— O julgamento começa em vinte e seis de setembro —disse ele. —Já protocolamos as petições e trocamos as listas preliminares de testemunhas. Não vamos nos opor se você decidir pedir um adiamento.

— Meu cliente quer ir a julgamento logo.

— Tudo bem. —Erickson começou a se levantar. —Acho que terminamos por aqui.

Calma lá. —Vocês vão mesmo manter a acusação de homicídio qualificado?

Ele olhou para Turner, depois voltou para mim. —Sim.

— Sem margem para negociação?

— No momento, não.

Andy estava numa sinuca de bico. Turner já tinha começado a passar o rodo, e o nome dele certamente estava no topo da lista.

Ela sabia que ele era um bom promotor, mas isso não tinha nada a ver com competência.

Andy provavelmente vai concorrer contra ela na próxima primavera —um ato imperdoável de deslealdade.

Você pode pensar que Turner teria demitido Andy imediatamente, mas isso daria a ele carta branca para detonar com ela na imprensa.

Mantendo-o no cargo, ela consegue vigiá-lo.

Além disso, aumenta as chances dela conseguir uma condenação no caso do Reggie, o que poderia vender como uma vitória.

Por outro lado, se Reggie fosse absolvido, Turner jogaria a culpa em Andy.

Falei com Erickson. —No mínimo, o juiz vai precisar dar a instrução sobre o homicídio simples.

— Estou bem ciente disso, Mike.

Pela lei da Califórnia, em um julgamento por homicídio qualificado, o juiz é obrigado a instruir o júri de que pode condenar o réu por homicídio simples. As consequências são grandes. A pena mínima para o qualificado é vinte e cinco anos. Para o simples, quinze.

— Não há prova de premeditação —eu disse.

— Roubo. A carteira da vítima estava no chão, ao lado do seu cliente.

— Reggie tinha só doze dólares no bolso. Claramente, não levou dinheiro nenhum. Não acharam digitais nem DNA na carteira. O Rolex do Gore ainda estava no pulso quando morreu.

— Isso não muda nada.

— Muda, sim. Não houve premeditação.

— Ele viu um monte de gente entrando no Kanzen. Sabia que teria uma chance de roubar alguém quando saíssem. Aí está sua premeditação.

— Ele estava dormindo.

— É o que seu cliente diz. O júri vai juntar as peças.

— Não o suficiente para condenação por homicídio qualificado, além de dúvida razoável.

— Vamos ver.

Ficamos nesse vai e vem, mas Turner e Erickson não deram o braço a torcer. Nem revelaram nenhuma informação extra.

Turner se levantou e estendeu a mão. —Obrigada por ter vindo, Mike. —Poderia muito bem ter completado: “Está dispensado.”

— Obrigado por me receber, Vanessa. —Olhei para Erickson. —Entendo que Ken Lee é o inspetor de homicídios no caso do Reggie. Imagino que você não se opõe se eu falar com ele?

— Por mim tudo bem, mas ele não tem obrigação de falar com você.