Moneda Muerta (Los casos de Mike Daley y Rosie Fernández 15) 5 — Eu não o matei —
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5 — Eu não o matei —

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— EU NÃO O MATEI —

Reggie Jones mexia inquieto na manga do macacão laranja. — Você é meu advogado agora?

— Sim.

— Eu gostava da Rolanda.

— Ela precisa ficar em casa até o bebê nascer. Ordem do médico.

Às dez para as onze da manhã do dia seguinte, uma quarta-feira, meu novo cliente e eu estávamos sentados em cadeiras de plástico, em lados opostos de uma mesa de metal, numa sala de consulta sem ar lá nos fundos do Presídio do Condado nº 3, aquele prédio estilo atacadista, tipo Costco, uns dez quilômetros ao sul do Hall da Justiça, perto do topo da Montanha San Bruno.

O prédio cinza e quadrado parecia deslocado em meio a uma comunidade suburbana tranquila.

Foi inaugurado com grande pompa em 2005 e era uma melhora significativa em relação ao presídio da época da Depressão que ficava alguns quilômetros dali.

Algumas dezenas de guardas, em postos de alta tecnologia, monitoram uns oitocentos detentos.

É o melhor estabelecimento do sistema carcerário de São Francisco, conhecido por programas progressistas e encanamento funcionando.

Ele me encarou. — E a Nady?

— Ela está em julgamento pelas próximas duas semanas. Não há tempo suficiente para ela terminar esse caso e se preparar para assumir o seu.

— Tenho escolha?

— Posso pedir um adiamento ao juiz.

— Quanto tempo isso levaria?

— Pelo menos seis meses. Talvez um ano.

— Não vou ficar aqui sentado por mais um ano.

Reggie tinha cinquenta e cinco anos, mas aparentava mais.

Media cerca de um metro e setenta e cinco, corpo magro, braços musculosos cobertos de tatuagens.

O cabelo bem curtinho era de um cinza apagado.

O rosto marcado de cicatrizes estava coberto de barba por fazer. Sua pele negra tinha um tom amarelado.

Sua voz grave, bem modulada, tinha um tom resignado. — Você é bom mesmo?

— Faço isso há quase trinta anos. Treinei a Rolanda e a Nady.

— Isso não significa que você seja bom de verdade no tribunal.

Justo. — A Ordem dos Advogados já disse que eu era um dos melhores defensores públicos da Califórnia.

— Aqui não é concurso de popularidade.

Verdade. — Pergunte por aí.

— Vou perguntar.

É o melhor que posso fazer, por enquanto. — Como você está se sentindo?

O tom dele ficou sarcástico. — Ótimo.

— Está conseguindo se manter saudável?

— Até que sim. Peguei Covid duas vezes.

— E está conseguindo comer?

— Um pouco. A comida aqui é horrível. Meu estômago parece ter passado por um moedor de carne. E já faz seis meses que não bebo.

— Está dormindo?

— Quase nada.

— Você precisa estar forte para o julgamento. — Reclinei na cadeira de plástico. — Imagino que a Rolanda tenha explicado que temos uma única regra sagrada: você precisa nos contar a verdade, nua e crua, sem omitir nada importante.

— Ela explicou.

— Tudo o que contou para a Rolanda e a Nady era verdade?

— Sim.

— Alguma coisa que queira repensar?

— Não.

Por enquanto, tudo certo. — Rolanda me falou bastante sobre você, mas quero saber mais. E quero que você comece a falar, talvez assim comece a confiar em mim. Mais importante ainda, quero saber se posso confiar em você. — Conte um pouco mais sobre você.

— Eu não matei Tyson Gore.

— Vamos chegar a isso já, já.

O tom dele ficou mais enfático. — Eu não matei ele.

Bom saber, mas do ponto de vista jurídico é um terreno instável.

As regras de conduta profissional proíbem advogados de permitir que nossos clientes mintam no tribunal.

Se eu descobrir que você realmente matou o Gore, não posso deixar você testemunhar o contrário.

Advogados de defesa fazem mil contorções intelectuais para driblar essa regra, mas prefiro evitar isso, se possível.

— Vamos falar sobre o que aconteceu daqui a pouco — eu disse. — A Rolanda me contou que você é de Hunters Point.

— Sou. — Ele confirmou as informações básicas que Rolanda havia passado.

— O que você fazia no Salesforce Park?

— Dormindo. — Ele admitiu que tinha bebido quase o dia inteiro. — Levei uma garrafa de tequila comigo e achei um canto nos arbustos, quando ninguém estava olhando. — Confirmou que chegou às sete e quarenta e cinco da noite de domingo, cerca de quinze minutos antes do parque fechar.

— Como entrou?

— Como todo mundo—peguei a escada rolante. Ninguém me parou.

— Tem câmera de segurança em todo lugar. Como é possível não terem um vídeo seu entrando na Redwood Forest?

— A área estava em reforma. Tinha cercas e lonas em volta.

— Era a primeira vez que você ia ao parque?

— Não. Já dormi lá algumas vezes. É tranquilo. Fui pego lá umas semanas antes. O segurança era um cara decente, só pediu para eu sair. Fiquei grato por ele não ter simplesmente me expulsado.

— O que aconteceu na noite em que o Gore morreu?

— Não sei. Bebi minha tequila e dormi. — Ele disse que acordou às seis e quinze da manhã, quando um segurança o sacudiu. — Daí apareceu um policial, alguns minutos depois.

— Viu ou ouviu alguma coisa durante a noite?

— Não.

— Você dorme pesado.

— Bebi quase uma garrafa de tequila inteira e apaguei, beleza? Você acha mesmo que eu teria ficado lá se tivesse matado alguém?

Pouco provável. — Você já conhecia o Tyson Gore?

— Não.

— Sabia quem ele era?

— Li sobre ele no jornal. Era um babaca rico que ganhou bilhões com criptomoedas.

E perdeu tudo. — O promotor diz que você tentou assaltá-lo.

— Eu nem cheguei a ver ele.

— Encontraram a carteira dele no chão, ao seu lado.

— Não fui eu quem pegou.

— Você acha que alguém colocou lá para incriminar você?

— Não sei. Talvez outra pessoa tenha tentado roubar ele. Ou o próprio Gore pode ter derrubado.

— Alguma chance de ele ter se suicidado? Ou alguém ter empurrado ele da grade?

— Como eu ia saber se nunca vi ele?

Insisti com ele por mais alguns minutos. Suas negativas ficaram ainda mais enfáticas, e ele não mudou a versão. Considerei isso um bom sinal. Culpados mudam de história na hora. Inocentes se irritam.