54 — Você Conseguiu Um Bom Resultado—
— VOCÊ CONSEGUIU UM BOM RESULTADO—
— Você conseguiu um bom resultado —disse Rosie.
— Obrigado —respondi.
— Você não parece animado. Defensores públicos não costumam ter muitas vitórias. Aproveite enquanto pode.
Dei um gole no meu Diet Dr Pepper. —Só estou cansado.
Nady e eu estávamos sentados no meu escritório às seis e meia da noite de sexta-feira. Terrence já tinha ido para casa. Rosie e Rolanda se juntaram a nós pelo Zoom. Era preciso comemorar a vitória, mas eu estava exausto demais.
— Você arrumou um lugar para o Reggie ficar? —perguntou Rosie.
— Sim. Colocamos ele num motel por alguns dias. Ele está sendo acompanhado por uma das nossas facilitadoras de transição, que providenciou algumas roupas e um pouco de dinheiro. Ela vai começar a ajudar ele a acessar outros serviços na segunda-feira.
— Acha que ele vai voltar pra rua logo?
Respondi com sinceridade. —Não me surpreenderia. Espero que ele consiga ficar longe da bebida.
— É isso aí. Você conseguiu conversar com os jurados?
— Rapidinho.
Frequentemente, os jurados estão dispostos a conversar com os advogados depois do julgamento. Sempre achei útil ouvir a reação deles, quando estão dispostos.
— Resumindo —falei—, eles acharam que Erickson não comprovou o caso além de qualquer dúvida razoável.
— Já basta —disse Rosie. —Eles acharam que o Reggie fez isso?
— Não houve consenso. A maioria achou improvável que ele tivesse ficado por perto se realmente tivesse empurrado Gore da grade. Uns metade acreditou que foi suicídio. Parece que eles levaram a deliberação a sério e seguiram as instruções do juiz. É só isso que podemos pedir.
Ao contrário do que se vê na televisão, descobri que a maioria dos jurados leva suas responsabilidades a sério e tenta fazer a coisa certa.
— Você conseguiu um bom resultado —ela repetiu. —No fim das contas, a razão deles não importa.
Importa pra mim.
Ela leu minha expressão pela janelinha do Zoom. —Você acha que o Reggie matou o Gore?
— Não. Meu palpite é que Gore cometeu suicídio. —Olhei para Nady. —O que tu acha?
— Acho que alguém empurrou ele da grade. Gore tinha um ego enorme. Ele não faria isso consigo mesmo.
— Tu acha que foi o Reggie?
— Pouco provável. Ele não teria ficado por ali se fosse ele. Ele nunca machucou ninguém. Acho que ele estava dizendo a verdade quando falou que apagou.
— Então quem foi? —perguntei.
Ela deu de ombros. —Não sei.
— Eu também não. Se tu estiver certa, ainda tem um assassino por aí.
— Você conversou com o Erickson? —perguntou Rosie.
— Pouco. Mas dou o crédito a ele, foi elegante.
— Ele ainda tem emprego?
— Por enquanto. Ele acha que nosso novo promotor-chefe vai pôr a culpa nele pela absolvição do Reggie.
— Isso não é justo.
— Nada é justo na política.
— Ele também não tinha grandes cartas pra jogar.
— Nem a gente. Esse julgamento podia ter ido pra qualquer lado.
O rosto dela ficou pensativo. —Você está bem?
— Vou ficar, sim. Só sinto que a gente deixou passar alguma coisa.
— Vai pra casa logo e tira o fim de semana de folga.
Olhei para Luna, que dormia num canto. —Vou sim.
A voz do Pete estava rouca quando segurei o celular no ouvido. —Tá acordado, Mick?
— Tô, sim.
Olhei pro relógio enquanto estava sentado à mesa da cozinha do meu apartamento, às dez e quarenta e cinco da noite de sexta-feira. Wilma me encarou do sofá, irritada porque a ligação do Pete interrompeu uma soneca que tinha começado quatro horas antes.
— Tá fazendo alguma coisa? —perguntou Pete.
— Tava pensando seriamente em ir pra cama.
— Tô indo pra Cidade. Passo aí pra te pegar.
— Que que houve?
— Recebi uma mensagem da Kaela Joy. A fonte dela na fronteira confirmou que Mason voltou pros EUA. Ela disse que talvez tenha algo pra gente.