48 — Intenso
— INTENSO
Nady ficou em frente ao banco das testemunhas. — Você organizou o encontro no Kanzen na noite de seis de março e na madrugada de sete de março a pedido de Tyson Gore?
Susan Gallardo estava sentada no banco, os braços cruzados. — Sim.
— O Sr. Gore lhe disse o motivo da reunião?
— Ele disse que envolvia questões sensíveis relacionadas à empresa dele.
— Você esteve lá o tempo todo?
— Sim. Gallardo confirmou novamente os nomes do barman e dos garçons que trabalharam no encontro. — As pessoas estavam mais interessadas em conversar do que em comer e beber, então deixei minha equipe ir para casa antes do fim da reunião.
Nady apertou um botão no laptop e exibiu uma cópia impressa da lista de convidados. — O Sr. Gore forneceu essa lista para você?
— Sim. Atendendo ao pedido de Nady, Gallardo leu os nomes: Matt Bosworth, Steve Warren, Eugene McAllister, Jack Emrich e Cynthia Mitchell.
Nady arqueou uma sobrancelha. — Todas essas pessoas perderam milhões ou até bilhões de dólares com o Deal Coin, não foi?
— Protesto — disse Erickson. — Isso foge ao escopo do conhecimento da testemunha.
De fato, foge.
— Sustentado.
Nady manteve os olhos fixos em Gallardo. — Como você descreveria o comportamento do Sr. Gore naquela noite?
— Protesto. É especulativo.
— Não, não é — retrucou Nady. — Não estou pedindo para a Sra. Gallardo adivinhar o que se passava na cabeça do Sr. Gore. Só quero saber o que ela observou sobre sua aparência e postura.
— Protesto negado.
— Ele estava exausto — disse Gallardo. — Também parecia frustrado.
— Ele disse o motivo?
— Ele estava sob muita pressão. Provavelmente tinha a ver com o fato de que estava tendo dificuldades para levantar dinheiro para a empresa, mas não tenho certeza.
Já serve.
— Como estava o clima no local? — perguntou Nady.
— Intenso.
— De que forma?
Nady estava calculando um risco. O certo seria perguntar apenas o que você já sabe a resposta. Mas, desta vez, ela queria fazer Gallardo se abrir.
Gallardo pensou antes de responder. — Eu não tinha acesso às conversas individuais porque prezamos pela confidencialidade dos nossos membros. Por outro lado, parecia que o Sr. Gore tentava convencer seus investidores a colocar mais dinheiro na empresa. Pelo que parecia, não estava indo bem.
— Alguém ficou bravo?
— Eu descreveria várias conversas como acaloradas.
— Alguém levantou a voz?
— O Sr. Bosworth e o Sr. Warren estavam bastante exaltados. O Sr. Emrich parecia mais frustrado do que irritado. O Sr. McAllister e a Sra. Mitchell foram diretos, mas permaneceram calmos. Nady tentou aprofundar, mas Gallardo disse que não se recordava de mais detalhes.
— Como estava o Sr. Gore quando saiu do encontro? — perguntou Nady.
— Para mim, ele parecia bastante abatido.
— Sem mais perguntas, Meritíssimo.
— Contradita, Sr. Erickson?
— Apenas algumas perguntas, Meritíssimo. Erickson caminhou até o púlpito. — Sra. Gallardo, alguém gritou com o Sr. Gore?
— Não.
— Alguém o ameaçou?
— Não.
— Alguém xingou ou saiu furioso?
— Não, Sr. Erickson.
— Não tenho mais perguntas.
— Próxima testemunha, Sra. Nikonova.
— Um momento, Meritíssimo. Nady voltou à mesa da defesa e sussurrou: — Pode ser o suficiente, Mike. Você ainda quer chamar quem estava no Kanzen?
Fiz um cálculo mental rápido. — Sim, mas sem exagerar. Veja se consegue fazer eles confirmarem que perderam uma fortuna e ficaram irritados com isso. Depois tenta extrair deles que Gore estava muito abalado naquela noite. Isso vai dar força ao nosso argumento de suicídio.
— Quer que eu acuse eles de assassinato?
— Não. Eles só vão negar e isso vai minar nossa credibilidade.
Nady voltou-se para a juíza. — A defesa chama Matthew Bosworth.