22 — Estamos no ramo errado
— ESTAMOS NO RAMO ERRADO
Rosie apareceu na porta do meu escritório às sete e quinze naquela mesma noite. — O que você está assistindo?
Levantei os olhos do meu celular. — TikTok da Amanda Blair. A ex-namorada do Gore é influencer.
Ela sorriu. — Você não tem coisas mais importantes para fazer?
— Muitos anos atrás, você me ensinou a descobrir o máximo possível sobre cada testemunha em potencial.
— Verdade. — Rosie deu a volta por trás de mim e olhou para o meu celular. — O que ela está fazendo?
— Sentada no apartamento dela e conversando com a câmera. Às vezes ela dança ou canta. Parece que está incorporando Stevie Nicks. A versão dela de Landslide já passou de dois milhões de visualizações.
— Ah, Mike, fala sério.
Deixei o celular de lado. — Ela fatura seis dígitos.
— Você pode ganhar cem mil dólares postando vídeos caseiros de músicas do Fleetwood Mac?
— O TikTok tem um bilhão e meio de usuários ativos.
— Estamos no ramo errado.
Olhei para ela. — Não acha meio, hum, exploratório?
— Ninguém está obrigando ela, Mike. Ela é adulta e decidiu transformar esse excesso de exposição em negócio. Não acho especialmente saudável e eu não faria, mas é uma escolha dela. Ela te contou algo útil?
— Na verdade, não.
— E como está o caso do Reggie?
— Devagar. Conversamos com todo mundo que estava no Kanzen na noite em que o Gore morreu.
— Deixei ela por dentro das conversas. — Ainda não conseguimos identificar o homem do vídeo que estava esperando no térreo do Salesforce Transit Center às duas da manhã.
É possível que ele não tenha nada a ver com a morte do Gore.
— E onde isso te deixa?
— O suicídio pode ser nosso melhor argumento.
— E se o júri não engolir?
— Vamos tentar jogar a culpa em outra pessoa.
Ela arqueou uma sobrancelha. — Alguma prova concreta?
— Hã... não. — Acrescentei: — O Pete está procurando.
Ela fez uma careta, mas não disse nada.
— Você falou com a Rolanda? — perguntei.
— Ela está bem, mas entediada até a alma. Não dá para maratonar Netflix pra sempre, e ainda tem que lidar com uma criança de dois anos.
Sorri. — Sinto falta de ter criança pequena em casa.
— Eu também. — Os olhos dela brilharam. — Quanto tempo tu acha que ainda vai demorar para a Grace e o Chuck terem filhos?
— Pelo menos mais uns dois anos.
— Vou pedir para a Mama conversar com eles. Ela sabe ser muito convincente.
Sim, ela sabe.
Permitimos a nós mesmos um momento falando de netos em potencial em vez de julgamentos de assassinato, até que Nady entrou marchando no meu escritório.
— Como está a preparação para o júri? — perguntei a ela.
— Alegações finais amanhã. Depois, instrução ao júri. Se tudo correr bem, as deliberações começam até o fim do dia.
— Ótimo. — Tomei um gole do meu Diet Dr Pepper já quente. O médico me permitia um refrigerante por semana. — E como você está se sentindo quanto a isso?
— Ele vai ser condenado. A única dúvida é se vai ser homicídio doloso em primeiro ou segundo grau.
— Qual tua aposta?
— Uma advogada sábia me ensinou que é melhor não fazer previsões quando está em julgamento.
Essa era eu. — Alguma chance do júri não chegar a acordo?
— A mesma advogada me disse que sempre há uma chance.
— Precisa de alguma coisa? Posso ajudar?
— Está tudo sob controle. Você tem uma horinha para o caso do Reggie?
— Claro.
— Ótimo. Acabei de receber uma mensagem da segunda ex-esposa do Gore. Ela topa conversar com a gente por alguns minutos.
— Quando?
— Agora.