19 — Dá uma olhada nisso—
— DÁ UMA OLHADA NISSO—
Pete levantou os olhos do laptop. —Você não parece feliz.
— Passei o dia inteiro em reuniões com investidores de capital de risco—, falei.
Ele me lançou um sorriso de canto de boca. —Eles foram simpáticos?
— Eles eram ricos.
— Não tenho nada contra quem tenta ganhar um trocado.
— Ou um bilhão. Parece aposta pra mim.
— E é mesmo.
Ele estava sentado à mesa da sala de reuniões na Defensoria Pública às sete e quarenta e cinco da mesma noite.
Nady estava à sua frente, concentrada no laptop.
O onipresente Terrence “The Terminator” estava no cubículo do lado de fora do meu escritório.
O cheiro de pizza requentada e salada Caesar pairava no ar.
Pete levantou a mão. —Você conseguiu alguma coisa útil com os gênios que tomaram a brilhante decisão de investir na Deal Coin?
— Quase nada.— Resumi minhas conversas com Warren, Mitchell e McAllister.
Ele sorriu. —Alguma chance de ter convencido o McAllister a te convidar para a área VIP num jogo dos Giants?
— Infelizmente, não.
— Se você fosse rico o suficiente para estar nos grupos de donos dos Giants e dos Warriors, por que iria torrar dinheiro investindo numa aposta furada como a Deal Coin?
— Medo de ficar de fora. Os amigos ricos dele fizeram a mesma coisa.
— Ele admitiu que foi um erro?
— Sim.
— Que novidade.
Chegou—. —Você conseguiu alguma coisa sobre o Jack Emrich?
— Ele foi demitido do Deutsche Bank depois daquela confusão da Deal Coin.
— Preciso conversar com ele.
— Ele está em Londres, procurando investidores para um hedge fund que está montando. Volta na semana que vem.— A expressão dele ficou desconfiada. —Você acha mesmo que algum desses ricaços matou o Gore?
Parece improvável, mas nunca se sabe. —Precisamos analisar todos os ângulos. Podemos provar que os investidores da Deal Coin estavam na área próxima.
— Você está forçando a barra, Mick.
Tô sim. —Quero falar com as ex-mulheres do Gore e com a ex-namorada dele.
— As ex-mulheres estavam fora da cidade. Não temos indício de que a ex-namorada estava no Salesforce Park naquela noite, Mick.
— Não tô dizendo que elas mataram ele. Só conheciam tão bem quanto qualquer um. Talvez consigam esclarecer como ele estava se sentindo. E quero falar com a terapeuta dele.
— Vou localizar ela.
— Valeu, Pete.— Virei para Nady. —Tem algo nos vídeos de segurança que eu ainda não tenha visto?
— Talvez.— Ela abriu um vídeo no laptop. —Olha isso. Foi gravado às duas e vinte da manhã no térreo do Salesforce Transit Center.
Assisti ao vídeo. Um rapaz de rosto limpo, vestindo uma jaqueta corta-vento da Patagonia e calça preta, andava de um lado para o outro, como se procurasse alguém.
— Quem é ele?— perguntei.
— Não sei.
— O que ele tá fazendo ali?
— Também não sei. Parece que tá esperando alguém.
Ela adiantou cinco minutos o vídeo. O homem continuou andando de um lado para o outro. Olhava o celular a cada poucos segundos. Às duas e vinte e cinco, desistiu e foi embora.
— Tem vídeo dele lá em cima, no parque?— perguntei.
— Não.
— Continua procurando. Ele estava esperando no exato local abaixo de onde o Gore caiu ou foi empurrado.
— Pode ser só coincidência—, ela disse.
— Você não acredita em coincidências. Nem eu.— Olhei para Pete. —Mostra esse vídeo pros seus contatos da SFPD e vê se sabem quem é esse cara.
— Pode deixar, Mick.